20090828

pretérito de marrakesh

Ao se olhar no reflexo de um córrego que passa, é como uma folha úmida se desprendendo do verão: duradouro, e passageiro. Na rebeldia do vento, te vendo atravessar um mar de lembranças, o suor da infância, o tremor da distância. Uma canção que faz relembrar as gotículas do ar se esvaindo pela sala de estar. Em um dia como qualquer lugar, o gás dos automóveis se esgota, e o melhor abuso fazem os pés. Cansados e renovados, se preparam para mais um dia, mais uma história, mais uma época. Como fogos de artifício se revelando propícios. Inesperado.

Na frase mais bem formulada, há uma desordem por sapos. A indiscreta concepção dos seres mais e menos humanos. Em dias como qualquer número, há uma esperança pelos pássaros. Como se fosse um exagero, o rosto da chuva sobrevoa o pretérito dos passos. Em minutos, congelam-se momentos que se salvam.

O sonho, como qualquer fio de algodão, se solidifica em artérias para a procriação de novas fórmulas. Inexatas, incompletas e imperfeitas, mas pela procura de silhuetas indescritíveis. Como o rosto da chuva, que se transfigura no teu. Como o desejo de um tombo na percepção de que há algo maior do que as nuvens que pairam à nossa volta. Como a naturalidade das gotas d’água. Como modos ímpares de se ver a vida.

2 comentários:

Aquela disse...

Adoro textos com descrições bem feitas assim.
Sou capaz de recriar cada imagem em pensamento.

Como sempre, palavras lindas e muito bem utilizadas!

;)

Sara disse...

é muito agradável para sentar e ler essas coisas, se pode ter que ler alguns pensamentos que eu realmente gosto de estar em um restaurantes em sp e começa a ler essas coisas.