Sempre acreditei na permanência do amor. De como, seja tórrido ou temporal, o tempo não merece nenhuma culpa e pode prosseguir aproximando-o ao intacto. Não acredito que algo que nasça sem pretensão e cresça em forma de invasão mereça ser desconsiderado, mesmo que, na prática, tudo pareça tão irracional. É irracional. Se dar conta de si mesmo já é, muitas vezes, um caminho atravancado, dividir-se pelo equilíbrio de dois é determinar-se em dobro. É irracional mas, contraditoriamente, é preciso coragem. Coragem para dar a cara a bater por algo contemporaneamente mutável. Idêntico aos seres humanos, mas definitivamente brusco.
Passamos por transições que, quer queira ou não, levam dúvidas e certezas de um lado ao outro até atingirem a próxima vírgula. O amor, nem sempre. Frente à personalidade múltipla que acarreta, é infiel a si mesmo. Por isso a violência de uma diferença num domingo cansado do verão. Mas, deturpadamente, luta. Porque não há outro fim nem início, ele é único e, assim como pretende, intransitório. Até segunda ordem surgida da lógica de que é melhor ser um só.
Por enquanto. Um conceito que convence por apenas alguns meses. Não acredito na permanência da solidão, embora sejamos sós e embora a base empírica demonstre que o amor não é de completa compreensão, principalmente em períodos de enchente. Não o é nunca, mas há a perseverança do “achismo” e a humildade do voluntário. Dos donos da verdade aos ávidos por descobertas, o amor é uma variável de longas-metragens água com açúcar e copos americanos em botecos centrais. Pode terminar irreverente, incessante, incoerente. Mas permanece líquido em sua instabilidade.
Guardo como infração todo o amor que tive, mesmo que diverso, no passado. No presente, o revejo em todos os estados físicos que contemplam o anseio, a estupidez e o correio. É como se o amor fosse uma carta escrita por Nelson Rodrigues e Clarice Lispector, revigorando uma combinação indeferível, mas apta ao encontro. É preciso audácia, para que os segundos não se pretendam sós, mas de que sustento vivem os nós a não ser daqueles que desembocam a desatá-los?
Não deixei de acreditar na permanência do amor. Porque o encontro, unido ao indecifrável, é desenfreada primavera. A alergia ao pólen e o apego das flores. Mas se sobrevive, se frequenta. O que ele mais precisa, da maioria dos suplícios, é liberdade da penúria própria dos indigentes; e se tornaria libertário de si mesmo, por meio do entrelace pertinente.
2 comentários:
Menina que escreve lindo!!!
que lindo re! olha tenho um blog tb.. mas nao chega nem aos pes do seu hehe
marilia-m.blogspot.com
kisses!
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