20100625

descalçada

Ansiedade. Desperto-me entre os poros sobre lençóis ásperos e não sei o retorno. Não há retrocesso, atraso. Não encontrarei antes de desconcertar os joelhos desvairados. Delírio que parece calçada. Apareça do nada que jaz um talher no chão, já sujo de um desuso de antes. Imundo. Mas o lavar de mãos nunca coube, e vale somente a transparência. Mesmo se invenção, mesmo que defeito. Roeria três unhas pelos apelos inconvenientes, largaria os braços na grama pelas juras adequadas. Não foi, e somente a inquietação retornou, agora indigesta. O assopro da fumaça me resta poluída. Mas vinga a pedra que despenca. No tormento que aflige a redundância, causa o efeito de alívio. Uma agulha toca sutilmente os ouvidos, ocasionando partituras no ar. Percepção que movimenta diariamente os detalhes, do foco aos lapsos. Desatenção que me tropeça de perspectiva e probabilidade. Receio à luz de velas, coragem servida em pratos de condenação.

3 comentários:

Ma Santha disse...

"Desatenção que me tropeça de perspectiva e probabilidade. Receio à luz de velas, coragem servida em pratos de condenação."

Belo! Pela poesia da complexidade que me toca... as usual.

Camis disse...

sabe o que eu descobri??
FICA NA ESQUERDAAAAA!! hahaha

Beijos!

Aquela disse...

Gosto e leio incessantemente. Até leio em voz alta para mim mesma.

Ainda que seja clichê, digo: a beleza do que você escreve soa como música aos meus ouvidos!